sexta-feira, outubro 31, 2008

quinta-feira, outubro 30, 2008

Eu até gosto do rapaz...


... sim confesso, costumo ler as Divinas Comédias do João Pereira Coutinho e até acho piada ao moço, com as suas mini-crónicas semanais no Expresso em que aborda tudo o que é tema com o seu tom ó-tão-leve e espirituoso.

Esta semana no entanto, talvez fazendo jus à capa da revista, o moço foi ao fundo.

Criticou as iniciativas de António Costa para remover os grafitis do Bairro Alto comparando-o, com uma impressionante falta de bom gosto, a uma favela. Mas começou a crónica a dizer que não frequenta o Bairro. Não frequenta mas opina... parece-me bem...

Em seguida, por causa de Obama e de um amigo que comprou uma t-shirt de apoio a John McCain, afirma que "a esquerda" tem uma "arrogância moral" e que "o pluralismo não entra na cabeça de uma esquerda moralista e intolerante". É sempre bom saber que o mundo se divide entre os intolerantes e os outros, entre os de esquerda, dogmáticos, cegos, anti-democráticos até, e as gentes sérias e com "sentido de humor" da direita. Ora aí está uma posição de alguém sem réstia de arrogância moral, uma posição nada intolerante e descriminatória... parece-me bem também.

Mas o melhor guardou para o fim. Segundo Dennis Sewell, jornalista da BBC, católico conservador e cronista na Spectator, a culpa da crise do subprime não é de Wall Street, nem dos capitalistas, nem da falta de regulação, nem da ganância mas sim... de Bill Clinton e dos pobres. Passo a explicar, na década de 90 Clinton pressionou a banca a dar crédito a pessoas com maiores dificuldades financeiras e instarou fortes medidas de prevenção de atitudes discriminatórias racistas. Em consequência entre 1994 e 1999 "dois milhões de negros e latinos compraram o seu próprio ninho". Ora "os bancos, pressionados, limitaram-se a baixar as orelhas"... coitadinhos. Conclusão brilhante: precisamos é de MENOS regulação e a culpa é dos "negros e latinos"... Para um homem de mente aberta e não dogmático é obra. Acreditar que o único culpado de uma crise financeira mundial são os "negros e latinos" americanos, apoiados pela administração Clinton e que os bancos são as vitimas faz lembrar a bela cegueira soviética! O comunismo, em teoria, funcionava, os seus principios de igualdade são inatacáveis. No entanto parte do pressuposto que o ser humano se transformaria e trabalharia de boa fé para o bem comum, que a tirania, a ganãncia e a preguila seriam não-existentes. A fé cega no dogma do mercado é exactamente igual à fé cega no dogma socialista. No papel tudo funciona, mas o elemento humano é imperfeito, as empresas são constituidas por pessoas que pensam em primeiro lugar no seu bem estar próprio e não na eficiência empresarial. Falta de informação, riscos desnecessários, visão de curto prazo, lobbys, carteis, tirania empresarial, ganância, má-fé, abuso de poder, são tudo elementos que existem e deturpam a beleza da economia de mercado. Daí a necessidade, como em tudo na vida, de controlo, dos tais "checks and balances" que suportam a democracia. Para cada governo há um parlamento, para cada parlamento um presidente da república, para cada presidente tribunais e por aí fora. Os bancos não são vitimas, são culpados. Não esquecer que desde 2000, há 8 anos, que nos EUA temos presidência conservadora republicana e nada foi feito para corrigir os "crimes" de Bill Clinton. E não me venham falar do Congresso, porque os Republicanos têm tido a maioria desde 1997 a 2007, excepto no periodo 2001-2003 com maioria repartida.
Esta fé dogmática de João Pereira Coutinho no Mercado é tão tão... sei lá... marxista-leninista... carregada de uma tão grande... "arrogância moral"...

quarta-feira, outubro 29, 2008

Paris

O Cédric Klapisch é bom moço. Tão bom moço que ficou famoso entre nós com o seu filme de 2002 A Residência Espanhola, que espalhou o sabor do Erasmus pela Europa. Eu que já tinha pena de não ter aproveitado o programa nos meus tempos de faculdade, pior fiquei.
O seu estilo fragmentado colou como imagem de marca, e revisitei-o em 2005, tendo perdido um filme pelo meio, com Bonecas Russas - os mesmos personagens de A Residência Espanhola anos mais tarde. Grossa desilusão. O estilo era o mesmo, o húmor tentava ser o mesmo, o filme era redundante e manifestamente inferior.
Agora chega-nos com este Paris, que se propõem a ter a capital francesa como pano de fundo a uma série de histórias de personagens aparentemente desconexos. Lá está o fragmentado de novo. Bocejo. Longe do passeio pelas vidas comuns de gente vulgar, quiçá com alguma inspiração Fellini, temos perante nós o arrastar lento, vagaroso, pastoso, do tempo. Saltitamos entre uns e outros com pouco o que dizer, ver, fazer, sentir, morre gente, apaixona-se e desilude-se, sempre com o ponteiro do relógio a teimar em não se mexer. Desinteressante, inconsequente, banal, para além de prestações correctas do elenco, fica uma certeza, Klápisch está seco e não tem nada para dizer. Ah, e uma outra, os vendedores de praça, peixeiros e afins, têm uma vida sexual diversa e com muita saída entre as classes sociais acima da sua.
Perca de tempo...

terça-feira, outubro 28, 2008


Ouvi hoje uma frase que me ficou na cabeça:

Há duas maneiras de controlar as pessoas, primeiro assutamo-las e depois desmoralizamo-las.

"Portugal continua na cauda da Europa no que diz respeito à confiança dos consumidores" - Nielsen News
"Confiança dos portugueses no nível mais baixo de 29 meses" - IOL Diário
"Níveis de confiança caiem de forma generalizada" - Economia & Finanças
"Clima económico e confiança de consumidores portugueses em baixa" - RTP
"A confiança entre os empresários e os consumidores europeus caiu mais do que o previsto, "- Jornal de Negócios

Música da Semana

Há dias assim, em que Cansei de Ser... Alala...

segunda-feira, outubro 27, 2008

Come Together e Four Reasons


Regresso ao Teatro Camões algum tempo depois da última visita, demasiado até. Desta vez sessão dupla, com algo para me aguçar o apetite, o regresso de Rui Horta, depois de me ter fascinado com a dupla que fez com João Paulo Santos em Contigo, que vi no CCB. Tenho sempre pena do pouco tempo que estas interpretações estão em palco, neste caso foram 5 dias, a acabar no domingo passado.

A primeira peça , Four Reasons, é o último trabalho de Edward Clug, e foi um um sopro de ar fresco. Trabalho brilhante sobre o espaço, a forma, a direcção, a manipulação cénica com processos simples, mas que transformam por completo o nosso olhar, brincando com verticalidade, forma, cor, corpo e percepção. Four Reasons, com música soberba tocada ao vivo, é um grande bailado.

Eis que chega o intervalo e, entusiasmado, avanço para Rui Horta... Desilusão extrema, balde de água fria a todos os niveis. Podia dizer que era um trabalho cerebral, inteligente, e que normalmente me deixo levar mais pela sensação neste tipo de coisas... a verdade é que não senti que o fosse sequer, não inteligente, talvez esperto, ou melhor, chico-esperto, constantemente a piscar o olho, a fazer gracinhas, a procurar ser diferente e espalhando-se ao comprido. Longe da contenção de Contigo, longe da sua simplicidade profundamente tocante, Come Together é espalhafatoso, excessivo, e prova, uma vez mais, que em termos de conjunto, quando a CNB tenta fazer trabalhos de sincronia, fica sempre aquém.

Mas Four Reasons já valeu a viagem...

sexta-feira, outubro 24, 2008

À espera de...


Estou a desenvolver uma ligeira adicção à Playstation 3... muito ligeira...

quinta-feira, outubro 23, 2008

quarta-feira, outubro 22, 2008

When I Knew


Primeiro foi um livro de Robert Tratchenberg, agora Fenton Bailey e Brandy Barbato fizeram um filme, um pequeno documentário com o selo de qualidade da HBO. Uma sala, uma cadeira, uma câmara, uma pessoa e uma pergunta: quando é que eu soube?

When I Knew é uma pérola, diversas pessoas, comuns, simples, falam sobre o momento em que descobriram que eram gay. Homens e mulheres relembram a altura na sua vida em que eles próprios souberam, momento esse bastante diferente daquele em que se assumiram. Sem parafernália técnica, sem exageros dramáticos, apenas com uma banda sonora a acompanhar cada momento, a sublinhar cada despertar, circulam diante dos nossos olhos vivências e experiências reais, humanas, tocantes. É nessa simplicidade, nessas breves palavras que reside a força emocional do filme, é impossivel não nos deixarmos comover por estes relatos, estes momentos tão banais e tão extraordinários, que definem um novo rumo na vida de cada rosto que ali se apresenta. Ainda e sempre a triste marca da descriminação, dos problemas com a familia, do sentimento de alienação. Mas não é disto que When I Knew é feito, não é um manifesto das maleitas do mundo. É um convívio de amigos, um à vontade directo, como se cada uma daquelas pessoas estivesse ali, na minha sala, com um copo de vinho na mão, a falar comigo depois de jantar. E é impossivel não adorar a conversa...

P.S. - Há agora também um site, mas com um cenário diferente, uma abordagem diferente, com uma série de pessoas a falar de quando souberam. Não é tão interessante, mas vale a pena dar uma olhadela É aqui...

terça-feira, outubro 21, 2008

Música da Semana

O fado e a música popular portuguesa corria o risco de se tornar algo do passado, petrificado no tempo, perdido na voz de Amália, reduzido a armadilha para turistas no Bairro Alto. Curiosamente, esse risco foi puramente teórico, desde há vários anos que a musicalidade mais tradicional se tem conseguido redesenhar, redescobrir, reinventar sem nunca perder as suas raízes. Seja pela força dos cantores de Abril, seja pela melodia - anos mais tarde - dos Madredeus, ou por fadistas que nunca se conformaram a um esterótipo como Mísia, Camané ou Marisa entre outros, até mesmo às experiências de misturas de géneros como A Naifa, a verdade é que o fado está de boa saúde.
Deolinda é a última banda a aparecer neste percurso. Com um tom leve, um húmor particular, cresceu na base da net e está a ganhar alguma reputação.
Esta semana: Lisboa Não É a Cidade Perfeita.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Bab Sebta

Bab Sebta é um documentário em competição nacional no DocLisboa, premiado já em Marselha. Segue a rota dos emigrantes clandestinos, desde o norte de África até à Mauritânia, numa lenta descida a um mundo que nos é completamente desconhecido.

Câmara na mão, Pedro Pinho e Frederico Lobo, encontram uma forte ligação num grupo de pessoas cuja vida é uma constante busca da terra prometida, uma entrada para a Europa repleta de sonhos.

Humano, real, tocante, sem nunca usar artifícios fáceis, Bab Sebta é um filme inteligente na forma como aborda o tema da emigração, contundente nas críticas que realiza, inesperado nos diferentes locais que mostra, emocional como poucos conseguem.

Uma obra para não perder, ainda neste doc lisboa, porque não creio ter distribuição comercial.

sexta-feira, outubro 17, 2008

Falar antes de olhar


"ttf disse...
Bem sei que não ajuda muito...mas aquilo não era a capa...Era uma falsa capa, só com esse assunto, por dentro disso, tinhas a capa do Público. Mas vá...compreendo e concordo!"

Este sucinto comentário ao meu post anterior arruinou completamente qualquer sentido do dito post. Afinal não era uma capa, afinal era publicidade, uma capa falsa, algo bastante em voga.

É o que dá falar antes de olhar, antes de confirmar os factos, apenas com um relance de esguelha.
Erro crasso meu, sem consequências num blog quasi-vazio, mas que é mesmo assim um erro.

Sem problemas de ética duvidosa a levantar, de cabeça baixa me retiro...

Nós por cá todos bem


A notícia não é nova, a 9 de Outubro deste ano abriu a Fnac do Vasco da Gama, para agrado de Fnacnianos de toda aquela zona.
O Público noticiou a abertura da Fnac com honras de primeira página. A abertura de uma Fnac... Uma loja... A terceira em Lisboa... A quinta da Grande Lisboa... Primeira página... de um dos jornais de referência do país... Na semana da maior crise financeira mundial das últimas décadas... na véspera da discussão das propostas de lei pelo acesso livre ao casamento civil... Capa...
Não percebi. Sinceramente não percebi. Sou limitado é assim mesmo. Até porque meses antes abriu uma Fnac no Alegro em Alfragide e não houve capa nenhuma. Sim eu sei, o Vasco da Gama é da Sonae e o Alegro não, o Vasco da Gama tem um Continente e o Alegro tem um Jumbo, mas não pode ser isso, não pode ser o facto do Público ser do mesmo grupo. Não. Recuso-me a acreditar que isso tenha influenciado seja de que forma for a decisão editorial de colocar a abertura de uma loja de entertenimento na primeira página de um jornal diário. A décima terceira Fnac do país...
Não há relação... não pode haver... tenho a certeza...

quinta-feira, outubro 16, 2008

O reflexo prata nas águas negras é o único indício para o primeiro visitante de que o Tejo espreita em baixo. Assim se explica a serpente de luz que passeia no meio da escuridão: ponte de uma a outra margem.
Parecem enfeites de Natal ao longe, cada vez maiores, cada vez mais complexos, até se tornarem num clarão rendilhado. Sem esforço reconheço espaços comuns, declives pessoais e sorrio. Lisboa abre-me os braços à noite. Estou de volta a casa...

sexta-feira, outubro 10, 2008

Hoje, deputados do PS votaram contra uma lei que permite o acesso de casais homossexuais ao casamento civil, lei essa com que publicamente concordam..

hipocrisia
do Gr. hypocrisia, forma poética de hypócrísis, desempenho de um papel no teatro, dissimulação
s. f.,
impostura, fingimento; manifestação de virtudes ou sentimentos que realmente se não tem.

On gay marriage...

Creio que isto resume bem a coisa...

quinta-feira, outubro 09, 2008

Burn After Reading

Os irmãos Cohen estão de volta e desta vez trazem companhia de peso, George Clooney, Brad Pitt, Frances McDormand, John Malkovich, Tilda Swinton, e até uma breve aparição de J.K. Simmons, fazem deste um elenco de luxo.

É um regresso às comédias negras que fizeram a carreira dos Cohen, na senda de Fargo ou Barton Fink, mas com um tom mais leve, a fazer lembrar os recentes LadyKillers ou O Brother Where Art Thou? Mas será que esta mistura funciona?

O filme é, antes de mais, um filme non-sense, com um humor peculiar e constante, e um argumento que apenas alguem como os Cohen nos conseguiria fazer engolir. Como diz um oficial da CIA a um subordinado que acaba de lhe fazer um relatório: come back when it all makes sense...

O caos em que o espectador se deixa mergulhar é divertido e perturbador, a loucura é contagiante e para isso bem ajuda a performance do elenco, com alguns actos de coragem, como a exposição de Frances McDormand a todos os mais pequenos defeitos fisicos que tem, analisados em grande plano logo na sua cena inicial.

O problema é que perdidos no delirio, os Cohen ficaram sem saber o que fazer com a fita, que ao fim da primeira hora deixa de ter ideias e sucumbe à tentação do vale tudo, num efeito de deixa andar que, em última instância, acaba por alienar o espectador. Prova disso é a forma atabalhoada e apressada com que acabam este Destruir Depois de Lêr, que, seja como for, está ainda vários pontos acima da mediania que domina as salas de cinema por esta altura.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Hoje, não esquecer

Hoje é a segunda flash mob a favor do fim da descriminação no acesso ao casamento civil com base nas preferências sexuais.

às 19h30, na Praça do Rossio, junto à estátua.

Deves levar uma folha em branco e uma caneta. Às 19h30, deves escrever na folha em branco "Acesso ao Casamento Civil", e de seguida erguer a folha para que todas e todos a possam ler. Ao fim de um minuto, deves dispersar, como se nada tivesse acontecido.

terça-feira, outubro 07, 2008

Música da Semana

Afinal não está perdido!!! Há poucos meses fizeram-me um raide pelo carro, partiram o vidro e levaram tudo o que lá estava dentro, incluindo uma prenda que tinha comprado para a Ana e todos os cd's que irresponsávelmente deixei lá dentro. Mas descobri uma cópia de um dos que mais me tinha custado perder, Beirut!
Esta semana volta aqui ao Sopros, em comemoração da descoberta...

segunda-feira, outubro 06, 2008

Gomorra

Baseado no best-seller de Maurizio Braucci e galardoado com o Grande Prémio do Júri em Cannes (uma espécie de segundo lugar), Gomorra chegou a Portugal na senda do sucesso de filmes como Tropa de Elite, retratos de uma realidade brutal, desconhecida para a maioria das pessoas.

A particularidade de Gomorra é que não se passa noutro continente ou num país distante, aquilo que vemos é em Nápoles, mesmo aqui ao lado, são euros nas mãos dos traficantes, o que se traduz num sentimento de proximidade perturbador.

O filme de Matteo Garrone deambula entre vários personagens, peões numa realidade que os ultrapassa, da qual não podem, e muitas vezes não querem escapar.

Violento e directo, não se coíbe de mostrar, de uma forma fria, o incrível submundo da droga e do crime, longe da visão tradicional de uma mafia organizada em familias, onde a honra ainda e os laços de sangue são ainda pedras basilares, Gomorra imerge-nos num mundo onde tudo vale, onde crianças são postas na linha da frente, onde apenas o dinheiro manda.

Garrone tem uma visão quase documental de tudo o que se passa, não só na forma, camera ao ombro, mas principalmente no distanciamento que cria das pessoas que retrata. Flutuando entre os vários personagens, nunca conseguimos realmente sentir uma ligação afectiva, passando por todo aquele horror como pelas noticias da noite, sem lágrimas nem sobressaltos, apenas uma sensação de pasmo.

sexta-feira, outubro 03, 2008

Estrelitas...


Ontem de madrugada acordei com uma cólica tremenda. No WC agarrei a Revista do Expresso, perdão, a Única do Expresso, perdão, a Revista Única do Expresso.
O tema desta semana que passou é as estrelas, suponho que motivado pelos 50 anos que a NASA celebrou dia 1 de Outubro. Por piada, ou por não ter nada o que dizer sobre a NASA e sobre a exploração espacial, está nesta edição um artigo de quatro(!) páginas sobre o desaparecimento das estrelas. Não falo de supernovas ou qualquer fenómeno cósmico, mas sobre as estrelas terrestres, cujo brilho também desaparece, ao que dizem a um ritmo bastante mais acelerado. Não me lembro do nome da criatura que assinou o artigo, lamento, eram quatro da manhã e estava com cólicas. O texto em si era digno de um qualquer blog de dona de casa, durante quatro páginas enumerava estrelas decadentes, misturando Madonna (decadente? a mulher está mais viva que nunca) com a Amy Winehouse, que apesar de carregada de drogas está no auge da carreira, com Herman José, que já viu dias melhores, com Peter O'Toole, que continua a ser nomeado para Oscares apesar de já ter cruzado a barreira dos 80 anos, com o Zé Maria, que nunca foi ninguém na vida. Para o senhor, cujo nome volto a lamentar mas não me lembro, a fama é um fogacho e desaparece. As estrelas brilham intensas e depois degradam-se. Falar de percursos, causas, consequências, dissertar sobre os comos e os ondes, os perigos e precipícios, qual quê, quatro (!) páginas a enumerar nomes. E o moço, (como é que ele se chamava mesmo?), acha que ser um Zé do Big Brother, é comparável a ser a Madonna, que continua a encher arenas e vender milhões de cd's, cuja única coisa a apontar é o facto de ter 50 anos (quem dera a muitas de 30...). Peter O 'Toole já não tem a cara de quando fez Lawrence da Arábia? É natural, passaram-se mais de 40 anos, decadente? Alguém me explique. O moço, cujo nome me escapa, chega a nomear Manoel de Oliveira (!) dizendo que até este um dia passará ao anonimato! O maior caso de longevidade que conheço é dado como exemplo de um artigo (?) sobre o quão fugaz é a celebridade.
Felizmente estava com cólicas e muito sono, portanto tinha mais com que me entreter.
É triste ver a Revista, perdão, a Única, perdão, a Revista Única, desçer a este nível. Preocupante é perceber que o caso de que falo não é, nem de longe, caso isolado...

quinta-feira, outubro 02, 2008


O ensaio não correu da melhor maneira, ainda não temos os actores todos, o texto está leeeeeeento, e tudo muito pouco oleado. Inesperadamente ouvi algo que me levou para casa com um sorriso.
Conversava com o Mário, ele estava a enrolar um cigarro, quando um negro, enorme, com uma garrafa na mão, se aproximou de nós e lhe cravou um cigarro.
Vocês têm um pais com tudo para funcionar, dizia ele, fui ao Algarve e PORRA, vocês têm um clima porreiro sitios bonitos, porque é que não funciona?

Foi então que, já a fumar o tabaco de enrolar, ele diz: lembrem-se da minha cara, eu sou feio, mas o vosso primeiro-ministro é bonito... e o Cavaco, ele também é bonito!

Risos, apesar de bêbado, ele não estava a gozar, o Cavaco é bonito, gostos não se discutem.

Apertos de mão, cumprimentos e boa noite, que a hora é avançada e amanhã é dia de trabalho. Acho que não me vou esquecer da cara dele, apesar de ter a certeza que ele cinco minutos depois já não se ia lembrar da minha.

A subir a rua do Século não consegui deixar de sorrir... o Cavaco é bonito... aí está algo que não se espera ouvir no Bairro a meio da noite... ora aí está algo que nem a Maria Cavaco seria capaz de dizer sem se rir...

E de repente o ensaio parecia quase ser uma nota de rodapé daquele dia...