quarta-feira, agosto 26, 2009

Música da Semana

Depois de ver este episódio de The Family Guy, só podia ser uma música esta semana: Surfin Bird!!!

sábado, agosto 22, 2009

Road Trip - Parte II: Conduzir...



O acto de conduzir é feito de rotinas, de actos quase reflexos, de pequenos gestos e hábitos. Mudar de carro altera o processo natural do corpo e obriga a reequacionar cada movimento, obriga o cérebro a pensar quase como se aprendesse a conduzir pela primeira vez, mas de uma forma incrivelmente mais rápida: onde se põe a chave, com que força se trava, que altura do banco, que tamanho tenho para estacionar, como se ligam as luzes, onde está o pisca, qual o novo ponto de embraiagem, entre mil e uma pequenas coisas às quais já não ligamos no dia a dia.

Um carro com mudanças automáticas obriga a um esforço acrescido. Como se liga o carro? Como se faz marcha atrás? Onde está o travão de mão? Que faço eu à minha perna esquerda?
A perna esquerda ressente-se, ela quer ajudar, ela procura incessantemente pelo pedal da embraiagem, ela está pronta nas acelerações, nos sinais vermelhos, nas subidas, nas travagens, em quase todos os momentos, mas não podemos contar com ela e isso custa mais do que parece.
Outra coisa que leva o seu tempo a habituar é ao facto do carro tomar decisões por nós, ele tem vida própria. Se não travarmos, ele anda sozinho, mesmo que não estejamos a acelerar, se achamos que vai a morrer e queremos descer uma mudança, ele não deixa,  é ele que pensa e controla todo o acto da condução e isso, ao início, dá comichões...

Road Trip - Parte I: Primeiras impressões


Aterrar em Los Angeles foi deixar Los Angeles,  visita à cidade ficou para o fim, um regresso às origens por assim dizer. 

Dormida num hotel no aeroporto para levantar o carro no dia seguinte. 
Das primeiras coisas que me entusiasmou foi ver os dinners e cadeias de restaurantes que se iriam tornar tão familiares, mas que na altura não eram mais que um imaginário cinematográfico. Esta era a minha quarta visita aos Estados Unidos, mas Nova Iorque, Filadélfia ou a Disney World não são representativas de uma América mais profunda, republicana e conservadora.

Road Trip - intro

Foram quase três semanas agarrado ao carro, a 9000 km de quilómetros de distância (salvo erro), com outros milhares palmados no asfalto, Califórnia com desvios pelo Arizona e o Nevada. No fim, muito cansaço, falta de coisas simples como sopa de legumes, muita coisa por ver, mas a sensação de ter passado por sítios onde toda a gente devia ir uma vez antes de morrer.

quarta-feira, agosto 19, 2009

Monsters Vs Aliens

Quando em 1937 a Disney estreia Branca de Neve e os 7 Anões lança a animação no meio das longas-metragens, durante anos cada filme destes era um evento cinematográfico.
Com o passar do tempo e com a entrada de novas empresas no mercado esse efeito diluiu-se até que, quase 60 anos mais tarde, em 1995, a Pixar em parceria com a Disney lança Toy Story - Os Rivais, o primeiro filme de animação totalmente feito a computador.
Durante anos a chegada do novo filme de animação computorizada trazia uma aura de magia, e os filmes eram normalmente memoráveis.
Essa fase também passou.
Hoje em dia todos os anos se editam uma mão cheia de filmes de animação, sendo que a maioria deixa muito a desejar.
Monsters vs Aliens é mais um do lote. Da Dreamworks, empresa que nos deu Shrek, baseia-se numa premissa interessante, um regresso aos filmes série B dos anos 50, mas fica-se por uma mão cheia de piadas (a maioria das quais se pode ver no trailer).
De resto há uma história sem grande interesse, duas ou três peripécias desconexas, personagens sub-aproveitados e uma falta de trabalho em algo que muitas vezes parece ficar esquecido: a história.
Não incomoda, mas pouco mais faz.

segunda-feira, agosto 17, 2009

The Boat That Rocked

Antes de partir de férias a última coisa que fiz foi ir ao cinema. O filme escolhido foi O Barco do Rock, último trabalho de Richard Curtis, realizador de O Amor Acontece e argumentista de filmes como Quatro Casamentos e um Funeral ou Notting Hill.
Nos anos 60 a música rock britânica vivia o seu momento de maior criatividade com bandas como os Beatles, Rolling Stones, The Kinks, The Who, para mencionar apenas alguns. No entanto a rádio quase não passava este tipo de música, dando azo ao aparecimento de rádios piratas, muitas delas a emitir de barcos fora das águas territoriais, com 24 horas de rock e pop, conseguindo audiências incríveis.
Esta é a história ficcional de uma dessas rádios.
A pergunta com que fiquei no fim de The Boat That Rocked foi, será que para fazer um filme basta agarrar numa série de grandes actores, personagens cativantes e colocá-las numa série de situações mais ou menos cómicas, mais ou menos desconexas, sem grande linha narrativa, fixando-se no estilo e na música?
Curiosamente a resposta é... sim.
O Barco do Rock
é um filme que se vê e revê sem problemas, divertido, emocionante, sem nada de particularmente extraordinário mas incrivelmente agradável.
Aliás ver Philip Seymour Hoffman, Rhys Ifans, Bill Nighy ou Nick Frost vale, por si só, sempre a pena. Neste caso ainda temos mais uma mão cheia de bons actores com destaque para um pequeno papel de Emma Thompson.
Belo filme para o Verão.

De volta!

A Lisboa, ao trabalho, ao Sopros...

sexta-feira, julho 24, 2009

A casa em ordem V - um mimo e até já

Finalmente o trailer, o filme esse só em março...

Tim Burton's Alice in Wonderland

E com este me parto, até já...

A casa em ordem IV - Música da(s) semana(s)

Pelas férias que aí vêm só podia ser este tema...

Canned Heat - On the road again...

A casa em ordem III - Os espectáculos

Se o cinema não esteve presente, já as artes de palco sim.

Gota D'Agua de Chico Buarque - CCB

Chegou a Portugal rotulado de clássico. A história melodramática e a música reconhecível assim o indicavam, o trabalho de actores ajudava à festa e tudo se compunha para uma noite memorável. No entanto o terrível trabalho de som (não se percebia nada do que se dizia em palco e o eco era incrível) e uma encenação medíocre (onde o trabalho de luz merece um reparo especialmente negativo) fizeram com que este Gota D'Água não passasse de uma oportunidade falhada.


A Arte do Crime de Richard Harris - Companhia Teatral do Chiado - Teatro Mário Viegas

A CTC a fugir aqui ao género que lhe garantiu sucesso, a comédia, rumo lançado pelas Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos.
Uma peça policial, um texto inteligente, bem escrito, com os inevitáveis twists finais que vive sobretudo de um trio de actores de categoria superior. Simão Rubim, fora do seu meio habitual, dá uma performance imaculada, descobrindo o humor de cada cena, mantendo sempre a tensão necessária. Vanessa Agapito segue a mesma linha, mas com uma maior ênfase no nervosismo e insegurança da sua personagem, em desespero numa situação que não controla. Emanuel Arada (primeira vez que o vejo em palco) é um actor que demonstra aqui ter um enorme futuro, não deixando que ninguém, lhe faça sombra em palco, seguro, manipulador.
Uma boa peça, em cena até 31 de Julho.


Espírito da Poesia - Companhia de Actores - Parque dos Poetas

A ideia é boa. Uma noite no Parque dos Poetas em Oeiras a ouvir e ver poesia. O pior é a sua concretização, a maioria das vezes infantil, desvirtuando o próprio poema. Desconstruir só por desconstruir não chega, há que ter algo para dizer.


O Deus da Matança de Yasmina Reza - Teatro Aberto

Na busca por uma peça de autor francês para o próximo espectáculo d'Os Hipócritas descobri um Le Die Du Carnage, peça que me fascinou e que queria levar a palco. Dias depois de a acabar de ler soube que João Lourenço a estava a encenar no Teatro Aberto. Azar o meu. Adoro este texto. Existem diferenças grandes entre o que tinha imaginado e o que vi em palco, mas para esta peça não consigo ser imparcial. Merece uma visita atenta.


Constança Capdeville: Este tempo também é dela - S.Luiz

Não conhecia Capdeville quando fui ver este espectáculo ao Jardim de Inverno do S.Luiz. Metade recriação de um espectáculo da própria, metade um espectáculo de homenagem, foi uma das noites mais bem passadas que tive a ver um espectáculo nos últimos tempos. Intrigante, fascinante, completamente emocionante, é um misto de som, poesia e performance que me acompanha ainda. Pena terem sido só dois dias. Fenomenal.


Romancero Gitano - Convento do Carmo

A partir de textos de Garcia Lorca, António Pires monta um espectáculo musical num dos cenários mais impressivos de Lisboa, o Convento do Carmo. O húmor de Lorca dá o tom, a música ajuda, e a facilidade do encenador em arranjar imagens marcantes faz o resto. Quando o vento e a temperatura ajudam, passa-se uma noite descontraída.



Demo - Teatro Praga - S.Luiz

Para dizer a verdade conheço pouco do trabalho dos Praga, falha minha. Este Demo teve a particular atracção de ir ver amigos que participaram no processo.
Um delírio energético, uma carga sensorial em quatro línguas, um musical onde a história não é o fundamental, mas nunca teve que ser. Interessante sem fascinar, Demo vai perdendo o gás conforme avança. A angústia que queria transmitir no seu final não existe, e o contraste à carga eléctrica inicial é grande. Sem ser um espectáculo perfeito é, como é hábito nos Praga, pelo menos incomum. Vale as duas horas. Em cena até 2 de Agosto.

A casa em ordem II - Os filmes

O cinema tem estado arredado do meu dia-a-dia, houve dois filmes que vi, com diferentes graus de satisfação.


Låt den rätte komma in - Let The Right One In

Deixa-me Entrar é o título português desta fábula sueca sobre o amor de uma vampira e um rapaz. Um filme negro, perturbador, mas ao mesmo tempo terno, fora do tempo, com um sabor agri-doce que apenas os nórdicos conseguem dar.
Já não está nas salas, mas merece um olhar atento em DVD ou quando passar na televisão.



Ice Age: Dawn of the Dinosaurs

O terceiro capítulo de uma série que começa a dar sinais de cansaço. A Idade do Gelo 3 - Despertar dos Dinossauros faz-nos reencontrar os velhos personagens do costume, garante de boa disposição, mas a narrativa é agora pouco mais que uma série de gags. Não vi a versão 3D, mas nas duas dimensões do costume já dá pouco mais que um sorriso confortável.

A casa em ordem

O Sopros tem andado completamente ao abandono. Agora com as férias à porta a situação torna-se crítica.
Sendo assim, hoje ponho a casa em ordem, com os posts que queria ter feito agora em versão diminuta e condensada.
Em Setembro volto, espero, à carga.

terça-feira, julho 07, 2009

Zack and Miri Make a Porno

Quando se vai ver um filme do Kevin Smith pode-se esperar muita coisa, falta de gosto, amoralidade, momentos de génio, mas uma coisa não se espera, banalidade absoluta. Quando o tema é a realização de um filme pornográfico por parte de dois amigos de longa data o risco de roçar o obsceno é grande, mas nunca me passou pela cabeça que o realizador de Dogma fizesse um enorme bocejo macilento, uma comediazinha romântica sem tomates.
A evitar a todo o custo.

quarta-feira, julho 01, 2009

Música da Semana

Atrasada mas vem a música da semana.

Aqui temos, o único, o inconfundível o incomparável... Keith Richards...

terça-feira, junho 23, 2009

Música da Semana

O Padrinho é um dos maiores filmes da História do Cinema e um dos meus favoritos de todos os tempos. Vi-o de novo este fim de semana e por isso aqui fica uma recriação improvável, Slash dos Guns...

terça-feira, junho 16, 2009

Música da Semana

Cá está a batida...
Esta semana uma argelina/francesa a cantar inglês... É Verão!

terça-feira, junho 09, 2009

Música da Semana

Vai pingando, uma por semana...
O video é bastante piroso, mas a canção é uma simples declaração de amor despretensiosa. Paul McCartney - Calico Skies.

terça-feira, junho 02, 2009

Música da Semana

Hino à Alegria!
E uma boa semana...

quarta-feira, maio 27, 2009

Duplicity - quick review

Já passaram algumas semanas desde que vi este Dupla Sedução, filme de espiões, descomplexado, divertido, mas sem grande ambição. É uma boa oportunidade para revisitar Julia Roberts, Clive Owen, Paul Giamatti e Tom Wilkinson. Perfeito para um domingo à tarde em casa.

terça-feira, maio 26, 2009

Cluedo Hipócrita 6


É um sucesso! Mais um jantar mistério, já neste sábado, dia 30 de Maio. Quem se quiser aventurar nesta aventura macabra contacte-me ou use os números da foto!
Ficamos à tua espera!

Música da Semana

Hoje... em honra do BPP, vai directo no post...
video

quarta-feira, maio 20, 2009

Música da Semana

Cá está ele, o pulso, e enquanto existir, estamos vivos.
Uma pequena música triste, que me deixou de lágrimas nos olhos no final de Caramel, um terno filme libanês que passou por Portugal há bem pouco tempo e que está agora a correr nos TVCine.
Racha Rizk com Mreyte Ya Mreyte...

terça-feira, maio 12, 2009

Música da Semana

Fui ver o Gota D'Água do Chico Buarque. Esta semana o som só podia vir daí... Flor da Idade.

sexta-feira, maio 08, 2009

Cluedo Hipócrita


Aqui está ele! De volta... (cliquem na imagem para mais informações)

Dia 9 de Maio (amanhã) pelas 21h!

quarta-feira, maio 06, 2009

Música da Semana e Gladiadores


Fim de peça, fim de ciclo, resta sempre um amargo de boca mas neste caso sinto-o mais como uma oportunidade. Serviu para aprender muito, foi a terceira vez que subi a palco e, uma vez mais, num registo completamente diferente das anteriores. O que mais me marcou no entanto, foram as dificuldades e problemas de produção, ultrapassados apenas pela união de um grupo que foi sendo formado ao sabor do vento, mas que conseguiu transformar-se numa verdadeira família coesa.
A peça era pior do que a anterior, sem dúvida, e no geral não atingiu o nível que pretendia, a máxima de conseguir um espectáculo sempre melhor que o do ano anterior não foi conseguido, mas acabou por não ser esse, como disse, o ponto fulcral de todo este processo.
Para marcar este momento aqui fica The Beatles... The End.

and in the end, the love you take is equal to the love you make...

terça-feira, abril 28, 2009

Música da Semana

Ainda cá estamos, o blog ainda está vivo (por pouco) mas o coração ainda bate...
Esta semana, Teardrop, Massive Attack...

terça-feira, abril 21, 2009

Música da Semana

Nostalgia. Hoje deu-me para recordar os tempos de liceu, das primeiras bebedeiras, do grupo de amigos, da falta de noção, dos shots, antes da descoberta do Bairro quando Alcântara era o meu poiso, principalmente o Calvário, quando a escolha do bar dependia apenas do preço das bebidas, quando ouvia esta música e fossem que horas fossem , estivesse eu em que estado estivesse, levantava-me e não parava de dançar (ou vá, pelo menos abanar a cabeça), dos primeiros namoros, e de Insomnia...

sexta-feira, abril 17, 2009

Che: Part Two - Guerrilla

É pena, mas Che, o filme em duas partes sobre Che Guevara, não é uma obra uniforme. Este Che - Guerrilha foca-se no trajecto descendente de Guevara, nomeadamente na aventura falhada no Bolívia que acabou por levar à sua morte.
Soderbergh mantém o estilo do primeiro filme, inevitável suponho visto ser na realidade o mesmo filme, filma a selva belíssimamente, e sabe gerir a tensão. O problema é que, na realidade, não se passa nada. Não falo numa opção estética contemplativa, ou de uma narrativa introspectiva reflectindo sobre a natureza trágica de Che. O problema é que Guevara está na selva, anda de um lado para o outro, sem nunca o espectador perceber para onde ou porquê, está rodeado de pessoas anónimas, nunca conhecemos um único guerrilheiro, seja pessoalmente, seja pelo seu papel na revolução falhada, e acaba capturado, não se sabe bem onde nem como, numas colinas algures.
Oportunidade falhada, apenas para curiosos que queiram ver a conclusão da obra.

quarta-feira, abril 15, 2009

Che: Part One - The Argentine

Projecto pessoal de Benicio del Toro, este Che de Steven Soderbergh é um filme de cinco horas que, por motivos comerciais, foi cortado em duas partes, O Argentino e Guerrilha.
Che - O Argentino é a primeira parte desta obra sobre o mítico Che Guevara, focando-se nos seus tempos de Cuba, desde os primeiros encontros com Fidel, até à tomada de Havana, momento esse que não se vê nem no primeiro, nem no segundo filme, pináculo central que é consequência e causa da tudo o que se passa antes e depois.
Soderbergh reencontra aqui a sua boa forma, voltando ao fulgor de Traffic por exemplo.
Curiosamente a obra Che não fica menorizada ou incompleta quando cortada em dois. Che - O Argentino é um filme que se aguenta sozinho nos seus próprios méritos, sem desculpas, sem se sentir que precisa de uma qualquer conclusão.
O mito Che Guevara é trabalhado e desenvolvido por Soderbergh no seu lado mais humanista, a sua preocupação com o Homem como indivíduo, a preocupação com a educação do povo, a sua actividade como médico no meio da selva, a sua intolerância contra qualquer abuso feito contra os camponeses mesmo no meio dos combates. É aqui que reside o fundo de Guevara, o seu amor ao próximo que, levado ao extremo, foi aquilo que conduziu à sua morte.
Filmado belíssimamente, com uma fotografia perfeita, encontra em Benício del Toro um protagonista à altura, apenas ofuscado por Demián Bichir, um Fidel Castro assombroso.
Único pecado do filme, partir do princípio que já conhecemos Guevara quando entramos na sala, muito fica por explicar, muito fica por mostrar, nunca se entende (no filme) o relevo que Che ganha no movimento, ou por que motivo é recebido com tanto fulgor pelas populações (não parece ser assim tão diferente dos outros comandantes).
A não perder.

terça-feira, abril 14, 2009

Música da Semana

O Sopros tem sido deixado ao abandono. A Música da Semana é como o ritmo cardíaco do blog, enquanto existir, regular, estamos vivos. Assim, e por falar em ritmo, esta semana ficamos com Gym Class Heroes - Guilty as Charged

quinta-feira, abril 09, 2009

Gran Torino

Clint Eastwood realiza o seu segundo filme do ano e a segunda obra-prima do ano. Com a exepção de Martin Scorsese não conheço nenhum realizador na actualidade que consiga, de forma tão consistente, manter uma fasquia tão elevada nas suas obras.
Gran Torino é, um pouco como foi Imperdoável, uma revisitação ao mito Clint Eastwood, ao velho duro, um Dirty Harry reformado, num mundo onde já não tem lugar.
Racista, xenófobo, intratável, Eastwood é um velho homem que enterra a mulher, que vive num bairro que foi mudando de vizinhança, que se vê rodeado de imigrantes de quem não gosta, com uma família que o não suporta. Acaba por criar ligações com um jovem que lhe tenta roubar o seu carro, um Gran Torino, por pressão do primo que pertence a um gang.
Gran Torino é um filme de afectos, de relacionamentos, de vida e de morte, de confrontos de identidades, de gerações, de sentimento de pertença, culpa, amor e ódio. Um filme carregado de uma intensidade, mas também de uma simplicidade e subtileza que são já marca do autor.
Emocional como poucos, sem nunca recorrer ao melodrama fácil, Eastwood mostra uma vez mais que realmente apenas melhora com a idade.

terça-feira, abril 07, 2009

Música da Semana

Segunda semana de Gladiadores... e The Show Must Go On...

terça-feira, março 31, 2009

Música da Semana

Semana de estreia, nervos à flor da pele, tudo parece desmoronar-se.
Preciso de uma música com boas vibrações para os próximos dias.
Vampire Weekend...

segunda-feira, março 30, 2009

Man On Wire


Em 1974 as Torres Gémeas eram os edifícios mais altos do mundo, acabados de construir, reinavam imponentes sobre o novo skyline nova-iorquino. Para Phillipe Petit, elas eram um sonho, uma obsessão, para este malabarista, andar no arame entre as duas era uma quimera que ele tinha que atingir.
Homem no Arame, ganhou uma parafernália de prémios, entre os quais o BAFTA de Melhor Filme Britânica e o Oscar de Melhor Documentário, apesar de ser dificil olhar para este filme unicamente como um documentário. Homem no Arame é um filme de assaltos, e um excelente por sinal.
Foi considerado o crime artístico do século, e é impressionante ver como é possível realizá-lo, ficamos a conhecer cada um dos intervenientes, a sua paixão, a sua loucura, e aquilo que cada um pagou por viver um sonho.
Uma das facetas mais tocantes do filme é o próprio World Trade Center. Olhar para ele de novo, quando ainda era jovem, sabendo o seu destino trágico, desperta em nós uma melancolia instantânea e inevitável.
Creio que já saiu das salas, mas não é de perder aquando do seu lançamento em DVD, uma verdadeira aventura, emocionante, divertida, humana.

sexta-feira, março 27, 2009

Gladiadores

Dia Mundial do Teatro, o meu post só podia ser este!
De volta ao palco!
Segunda peça com os Hipócritas, terceira da minha vida (vá, a primeira foi mais um exercício que o resto), uma vez mais no Franco-Português.
Do Godot nos Infernos para este Gladiadores é como da noite para o dia. O texto menos complexo, escrita menos conseguida, mas de um estilo completamente diferente, que apresenta desafios completamente novos em termos de actor.
Comédia modernista (modernaça?) de Alfredo Cortez, dramaturgo português dos anos 30 (e 40 e 50), um pequeno delírio em 3 actos que teve mais problemas de produção do que alguma vez poderia imaginar. Parto difícil, tirado a ferros à custa de muito sacrifício, de muita dedicação e principalmente muita teimosia.
Não é perfeita, mas existe, está lá, orgulhosa, viva, uma peça que, mais vezes que não, esteve perto de não existir.
Agora é a recta final, e depois um mês de palco. Que saudades tenho eu daquele cheiro, daquele nervo... É um regresso a casa, e espero ver-vos a todos por lá...

Ah, e vão ao teatro, não só hoje, dia dedicado, mas amanhã e depois, e para o mês que vem, e para o outro...



Gladiadores
Instituto Franco-Portugais

2 de Abril a 2 de Maio
Quinta a Sábado (dias 11, 17 e 18 de Abril não há espectáculo)
22h


Preço: 6,50 euros
(Desconto de Pin Cultura, Maiores de 65 anos, estudantes, profissionais do teatro e grupos +10: 5,50euros)


Contacto produção/bilheteira:
Filipa Pais de Sousa 966419650 / Manuel Barbosa 960255333

Encenação e Adaptação: Reginaldo Cruz
Autor:Alfredo Cortez
Elenco: Ana Castro Paiva l Ana Teresa Vaz l Filipa Pais de Sousa l Joana Salgueiro l Jorge Subtil l Luís Moreira l Marco Marcos l Miguel Reduto l Miguel Pires Ramos l Mafalda Jacinto l Natacha Bulha l Ricardo Lérias
Cenografia: Filipa Ribeiro da Silva
Figurinos: Maria Azevedo e Nuno Nogueira
Caracterização: Sílvia Soares
Música: The Costas Voltadas
Fotografia de Cena: Sofia Maul
Vídeo: Nuno Gonçalves
Desenho de Luz: Rui Dias
Sonoplastia e direcção técnica de Som e luz: Nuno Chainho
Design: Filipa Ribeiro Ferreira
Produção Executiva: Manuel Barbosa
Direcção de Produção: Filipa Pais de Sousa
Produção: Hipócritas

Institut Franco-PortugaisAvenida Luís Bívar, 91 / 1050-143 LisboaTel: (+351) 21 311 14 00Fax: (+351) 21 311 14 68infos@ifp-lisboa.comhttp://www.ifp-lisboa.com/

HIPÓCRITAS Associação Cultural
hipocritas@gmail.com
http://teatrohipocritas.blogspot.com/

quarta-feira, março 25, 2009

Jorna...quê?


Na página central da Microsoft network em português aparece em destaque uma notícia com o título: Padre em Lisboa recusa baptizar meninos com o nome Lucílio. A notícia refere que o padre é fanático sportinguista e que fazia esta recusa por causa do desempenho do árbitro Lucílio Baptista na final da Taça da Liga no fim de semana passado.
Lendo a notícia ficamos a saber que é o padre João José Marques Eleutério da paróquia do Rato.
Fiquei espantado por ser do Rato, do que conheço da paróquia não é este tipo de padre que aqui costuma aparecer, aliás, não creio que os padres possam ter algo a dizer sobre os nomes das crianças que baptizam.
A meio da notícia diz-se que o padre estava na realidade a brincar, coisa que seria obviamente percebida por quem o tivesse ouvido. No final da homilia, mesmo antes de enviar os paroquianos de volta a casa, João Marques Eleutério, sportinguista assumido, diz uma piada.
Depois há pseudo-jornalistas que agarram nas palavras dele e... mentem. O padre não se recusou coisa nenhuma, mal seria, mas dá notícia, dá destaque e nada acontece a ninguém...
Vide a notícia aqui...

terça-feira, março 24, 2009

Música da Semana

Esta semana só podia ser uma canção, The Wrestler, o boss, Bruce Springsteen...

segunda-feira, março 23, 2009

The Wrestler

Premiado com o Leão de Ouro em Veneza e com uma performance laureada de Mickey Rourke, O Wrestler era um dos filmes deste ano que não queria perder.
Este é um projecto pessoal de Darren Aronofsky, que tenta fazer aqui um misto entre Rocky e O Touro Enraivecido da luta livre.
Rourke é Randy "The Ram" Robinson, estrela da luta livre "extrema" dos anos 80, que agora, em decadência, trabalha num armazém de um supermercado durante a semana e luta ao fim de semana em eventos de vão-de-escada. Está sozinho, acabado, e a única companhia é uma stripper da mesma idade que trabalha num clube que ele frequenta.
Em termos de argumento, O Wrestler é muito basilar, "paint-by-numbers" quase, a cada momento percebemos os passos seguintes que chegam sem surpresa. Mas nessa simplicidade é tocante, encontra o que de mais elementar existe em cada situação, em cada personagem, e transmite-o sem rodeios, linearmente, sem que essa linearidade seja um pecado.
Como qualquer pequena produção independente os actores têm uma importância fulcral. Marisa Tomei a mostrar nos últimos tempos que tem talento para Óscar (curiosamente quando o ganhou ninguém diria), Evan Rachel Wood também a mostrar predicados que lhe são conhecidos (pequeno mas intenso papel) e claro, Mickey Rourke, cuja ligação a esta personagem é impressionante. Quando o vemos, lágrimas nos olhos, a dizer que é um pedaço de carne acabado, que está só e que merece estar só, não sabemos quem está a falar, se Rourke se Randy "The Ram".
Um belo pequeno filme, tocante, sincero, e com uma banda sonora a condizer, onde se destaca a grande música de Bruce Springsteen, The Wreslter.

quarta-feira, março 18, 2009

Rachel Getting Married

Jonathan Demme alterna a sua carreira entre o mainstream de Hollywood com filmes como Filadélfia, O Silêncio dos Inocentes ou O Candidato da Verdade, e uma parafernália de documentários, onde a música tem um papel de destaque.
O seu último filme, O Casamento de Rachel, está no cruzamento entre estes dois mundos. Longa-metragem de ficção, é concretizada como se fosse um documentário, câmara ao ombro e uma enorme dose de improviso, num filme que retrata um fim-de-semana de casamento, e que foi planeado quase como se esse casamento realmente se realizasse. O resultado final é um drama familiar intenso, despretensioso, onde sentimos que fazemos parte daquela família, que somos mais um convidado com acesso privilegiado aos acontecimentos que se desenrolam diante dos nossos olhos.
Tudo se conjuga de forma perfeita, uma escrita aparentemente linear que nos apresenta cada personagem de uma forma casual, onde aprendemos a conhecê-los e compreender as suas dores e alegrias. Em O Casamento de Rachel há melodrama, mas a verdadeira força do filme são os pequenos dramas humanos, os gestos e rancores causados por esses dramas maiores, pelo dia a dia que se segue.
Um filme intimista como este não conseguiria sobreviver sem um leque de actores sólido, e Anne Hathaway destaca-se com uma merecidíssima nomeação para o Oscar. No entanto, apesar da estrela ser Hathaway, há que lembrar o restante elenco, que por vezes não tem cenas tão marcantes como a protagonista. Como por exemplo Rosemarie DeWitt, a própria Rachel que se casa, com um papel fabuloso de naturalidade e realismo.
Com uma banda sonora soberba, trabalho de minúcia onde a banda está constantemente a tocar ao vivo, e um trabalho de realização extremamente cuidado (apesar das muitas imbecilidades que li acusando este filme de ser igual aos filmes de férias que temos em casa), O Casamento de Rachel é um dos grandes filmes deste ano, que tem estado recheado de obras marcantes.
Quase o perdi no cinema, ainda bem que não.

terça-feira, março 17, 2009

Música da Semana

Está sol, cheira a férias, mas é passageiro.
Para fazer perdurar o aroma que faz lembrar outras paragens, fins de tarde à beira mar, imperiais e boa-disposição aqui fica Jason Mraz, I'm Yours...

segunda-feira, março 16, 2009

O Nojo Continua


Já está. A menina brasileira de 9 anos que fez um aborto de gémeos foi excomungada, ela, a mãe e os 15 elementos médicos que fizeram o aborto. Na verdade, sejamos justos, a menina acabou por se safar pelo simples facto de não se poder excomungar crianças. Teve sorte ao que parece. A Igreja é misericordiosa disse o bispo.
Mas como chegou uma menina de 9 anos a este ponto? Foi violada. Por quem? Pelo padrasto. Desde os 6 anos de idade que é abusada sexualmente pelo padrasto de forma continuada. E que faz a Igreja? Condena toda a gente que tenta minimizar, se é que isso é possível, ou pelo menos não agravar a dor desta criança. Dizem os médicos que a rapariga corria risco de vida, que era muito nova, que o útero dela não aguentava a gravidez. A Igreja não quer saber, diz que não se pode condenar duas vidas para salvar uma terceira.
E o padrasto? O pedófilo abjecto que destruiu a vida desta pessoa? Esse não é excomungado porque a pedofilia não é crime suficiente. Apenas o aborto.
O dito bispo chega a afirmar que a Igreja condenou o Holocausto (demorou a fazê-lo) e que o aborto é um Holocausto silencioso...
O Nojo ganha proporções imorais.
E o Vaticano defende.

quarta-feira, março 11, 2009

Música da Semana

Normalmente é à terça, esta semana vai com atraso.
Se o dia é diferente, a música também tem que ser.
R.E.M. e os Marretas! Furry Happy Monsters!

Boa Semana!!!

quinta-feira, março 05, 2009

Os escondidos


Gosto de pessoas com opinião, gosto de pessoas frontais, mesmo que discorde delas. Uma pessoa que tem uma visão do mundo diferente da minha é alguém com quem consigo falar, discutir, confrontar ideias. Posso ter problemas com quem discordo, mas o pior são os outros. Os escondidos. Os que pensam mas não dizem, os que fogem, os politicamente correctos.
António Pinto Leite escreveu uma crónica no Expresso deste sábado em que se compadece com o sofrimento e descriminação dos homossexuais. Sente até que limitar as suas uniões às uniões de facto é insuficiente. Passa dois terços do artigo a defender as dores da comunidade gay, sincero e condoído.
Até que chega ao ponto que na realidade queria abordar, o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Ele até acha que as relações homossexuais "são idênticas na união de afectos humanos, na partilha de intimidade, no propósito de comunhão de vida."
Mas daí a merecerem ser um casamento vai um passo de gigante. Até porque "são decisivamente diferentes no projecto de família que encerram, no enquadramento para o desenvolvimento da personalidade das crianças, na tendência natural geradora de vida e na própria diferença entre sexos, diferença que, em si mesma, faz toda a diferença."
Não percebo. Devo ser estúpido.
Afinal existe um projecto de família comum entre todos os casais heterossexuais? A sério? Um casal da Opus Dei tem o mesmo projecto de vida que uma prostituta casada com um marinheiro?
Existe um enquadramento para o desenvolvimento da personalidade das crianças comuns aos casais homossexuais? Uma vez mais...
E existe uma tendência natural geradora de vida? Mesmo em casais estéreis? Ou casais que não querem ter filhos? Devem eles ser proibidos de casar? E quem disse que um casal homossexual não tem uma tendência geradora de vida? Não existem inseminações artificiais, barrigas de aluguer ou vá, a adopção?
Mas uma vez mais, eu sou estúpido, não percebo muita coisa, daí colocar tantas questões.
Sobra um único motivo plausível, o único aliás que importa, a diferença de sexos em si. Bem espremido é tudo o que incomoda António Pinto Leite, duas pessoas do mesmo sexo não podem casar porque são duas pessoas do mesmo sexo. Ele até nem se importa que lhe chamem outra coisa, união civil por exemplo. Mas casamento é que não.
Isso é a base, a génese da discriminação, alguém não pode fazer algo apenas por ser quem é. Um casal homossexual não pode casar por ser um casal homossexual, uma mulher não pode votar por ser mulher, um negro não pode ser livre por ser negro.
Ao menos que tivesse coragem para se afirmar como homofóbico, ao menos tivesse coragem para assumir as suas posições e o seu preconceito.
São estes os piores, os escondidos. Porque um nazi com a suástica no peito é alguém que sei o que pensa e o que quer do mundo. Alguém com quem posso lidar, defender-me, argumentar.
Agora os outros, esses sim, são perigosos.

quarta-feira, março 04, 2009

The Reader

Há uma história de amor, há feridas de um passado e uma vergonha que atravessa uma vida e a molda, tolda e guia.
O Leitor é o último filme de Stephen Daldry, o mesmo realizador de As Horas e Billy Elliot. Baseado no romance de Bernhard Schlink, foi um dos candidatos ao Oscar de Melhor Filme este ano e dos 5 nomeados é talvez o filme mais complexo e interessante.
Daldry gosta da reconstituições de época, de histórias humanas que atravessam fronteiras, de pessoas presas a um segredo que as consome e lhes define o destino.
O Leitor segue este percurso sinuoso e pessoal, emocional e desconcertante, perseguindo os seus personagens com um sentimento de angústia, de culpa. Nesta viagem conta com um grupo de actores perfeito, de Ralph Fiennes ao jovem David Koss, de Bruno Ganz a Kate Winslet, num desempenho memorável que lhe valeu o merecido e há muito devido Oscar, mas na categoria errada (deveria ter sido de Melhor Actriz Secundária).
Uma pequena sugestão, não leiam críticas, nem resumos de argumento, não vejam sequer o trailer que aqui posto. Vão para o cinema a saber apenas que o filme começa com a história de amor entre um adolescente e uma mulher de meia idade na Alemanha dos anos 50. Quanto ao resto deixem-se surpreender.

terça-feira, março 03, 2009

Música da Semana

Tenho estado muito negligente aqui com o Sopros, mas na verdade não tenho tido tempo nem para me coçar.
Para me redimir, tenho que escolher uma música da semana que seja especial.
Esta semana, por sorte, nem sequer há grande escolha... Brel, Amsterdam!

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Amsterdão


Primeira visita à Holanda, primeira visita a um dos destinos favoritos de muita gente Amsterdão. A pequena capital à beira mar, desde há séculos um dos mais importantes portos da Europa não me desiludiu. A primeira coisa que me chamou a atenção foi simpatia geral de um povo aberto a outras culturas, aberto a visitantes. Toda a gente sem excepção, do condutor do autocarro, ao empregado de balcão no supermercado, fala inglês, independentemente da sua etnia ou idade. Encontrei mais gente a falar inglês (correctamente) do que em Nova Iorque por exemplo.
A cidade é pensada para as pessoas. As suas ruas, os canais, a arquitectura, a preocupação com os transportes públicos, com os caminhos dedicados a bicicletas, os parques, os museus, as lojas, tudo é pensado à escala humana e para os habitantes. É fácil sentirmo-nos bem ali, perdermo-nos nos espaços públicos e deambular.
A maior surpresa é o ter encontrado, finalmente, um local fora de Portugal onde se bebe uma boa bica. Sim, um espresso, a dois euros claro, mas em todo o lado se encontra uma bica muito muito boa!
Há óbviamente as curiosidades habituais, o red light discrict com as suas montras, sex shops e live sex shows, e as vérias coffeeshops onde a parafernália de drogas se multiplica perante os nossos olhos, mas isso nada mais é que o reflexo de uma cidade onde a liberdade e o bem estar individual são o mote.
Uma visita incontornável.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Apostas


Domingo chega a inevitável cerimónia dos Oscares. De ano para ano têm vindo a perder importância, as audiências caem a pique e o famoso efeito das nomeações não se nota, os filmes na corrida para as estatuetas douradas não têm sentido o impulso da nomeação no box office.
Mesmo assim, ainda sigo com atenção as decisões da Academia, e deixo aqui as minhas previsões para os prémios principais.
Melhor Argumento Adaptado - o mais forte candidato é Slumdog Millionaire, que se prepara para vencer em toda a linha.
Melhor Argumento Original - Milk levou o prémio do sindicato dos argumentistas, mas não me admirava se Wall-E fizesse uma surpresa aqui.
Melhor Actor Secundário - Depois de morto dizimou a concorrência, Heath Ledger em Dark Knight é o vencedor antecipado.
Melhor Actriz Secundária - Kate Winslet em The Reader tem ganho consistentemente nesta categoria, mas a Academia considera que o seu papel é principal e não a nomeou aqui. Abre caminho para Penélope Cruz vencer em Vicky Cristina Barcelona.
Melhor Actor Principal - A batalha é entre Sean Penn em Milk e Mickey Rourke em The Wrestler, um dos dois leva a estatueta.
Melhor Actriz Principal - Kate Winslet tem levado tudo à frente, mas o seu papel em The Reader (aqui nomeado) foi sempre considerado o de uma personagem secundária. Isto pode dar uma aberta para Meryl Streep vencer com Doubt. Eu mesmo assim ainda aposto em Winslet.
Melhor Realizador - Danny Boyle em Slumdog Millionaire, tem sido assim em todo o lado, dos Globos de Ouro aos Bafta.
Melhor Filme - Se olharmos para a onda de prémios já arrecadada, Slumdog Millionarie parte na pole position, mas lembro-me que Brokeback Mountain também tinha uma onda de vitória atrás de si e foi Crash que venceu esse ano. Milk pode ser esse vencedor improvável.

Domingo veremos...

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Feliz dia dos namorados



Não resisti, roubei daqui...

Música da Semana

Tenho esta música para postar há algum tempo, mas não quis ir na onda do valentim. Agora que a febre do 14 de Fevereiro passou pode vir a pequena sereia e o seu amigo Sebastian, Kiss the Girl...

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Doubt

Saí da peça de John Patrick Shanley com um sabor amargo na boca. Em maio de 2007 senti que Eunice Muñoz e Diogo Infante não faziam jus ao texto vencedor de um Pulitzer. A peça nunca me cativou e as performances foram banais.
A estreia deste Dúvida, baseado na peça, com argumento e realização do próprio John Patrick Shanley deixou-me entusiasmado, principalmente depois de conhecer o elenco.
Nos anos 60, num colégio católico, um padre progressista entra em conflito com a freira responsável. Ela, temida e respeitada, discorda dos métodos do padre jovem. Até que um dia a suspeita de pedofilia os lança em confronto directo.
Meryl Streep faz o papel de Eunice e Philip Seymour Hoffmam o que coube a Diogo Infante. Que diferença espantosa, como o texto ganha vida, como se descobrem novos sentidos e nova força nas palavras, em cada cena, cada diálogo. Apenas ver os dois em cena já merece pagar o bilhete, seja qual for o filme, e aqui excedem-se. Se juntarmos a isto um elenco de uma força soberba (4 nomeações para actores deste filme aos Oscares), temos um deleite para quem gosta de ver representar.
De resto Dúvida não é extraordinário, competente em todos os campos, seguro na realização Shanley, mas sem nenhum toque que o eleve acima dos restantes, que este ano têm sido abundantes em qualidade e número.
Mas o prazer de ver estas performances vale tudo...

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Revolutionary Road

Sam Mendes, quase uma década depois do seu oscarizado Beleza Americana e três filmes mais tarde, regressa ao tema da vida familiar, na sua componente mais basilar, mais simples e directa. Volta a olhar para as relações humanas, e volta a fazê-lo com mestria.
Baseado no best seller de Richard Yates, Revolutionary Road segue um jovem casal nos anos 50 com sonhos de uma vida fora do vulgar, que acabam por se sentir encurralados no seu dia a dia de classe média, trabalho, casa, crianças, emprego.
Mendes compreende a importância dos dramas diários, do sufoco do dia-a-dia, do potencial destrutivo de sonhos quebrados. Guia-nos com uma delicadeza estranha por este emaranhado de emoções. A fotografia belíssima, bem como todo o trabalho de reconstrução de época dos décors aos figurinos, suportam e enquadram o trabalho de dois actores dotados. Se Leonardo DiCaprio não falha uma cena, uma emoção, Kate Winslet explode numa complexidade de sentimentos, num trabalho de actriz multi-facetado e que permite milhentas interpretações. A cada momento vemos nos seus olhos, na expressão, no corpo aquilo que ela sente, aquilo que ela pensa e aquilo que ela mostra. Notável.
O desagregar deste casal é mais uma das grandes obras do cinema americano deste ano. Revolutionary Road tem tudo, indústria, talento, qualidade artística (seja lá isso o que for) e neste momento já rendeu no box-office quase o dobro do seu custo.
Da imensidão de filmes a estrear semanalmente, este é daqueles a não perder.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Milk

Gus Van Sant é um realizador que tem pautado a sua carreira nos últimos anos com um misto entre o experimental contemplativo (Gerry, Elephant, Last Days, Paranoid Park) e o cinema mais clássico (Good Will Hunting ou Finding Forrester). Os primeiros têm sido bastante mais interessantes que os segundos, num percurso carregado de altos e baixos.
Milk é neste aspecto um filme mais clássico. Curiosamente é também o seu melhor filme desde há muito tempo.
Harvey Milk foi o primeiro homem assumidamente homossexual a ser eleito para um cargo público nos EUA. A sua eleição, mais do que o seu cargo, foi um marco na luta pela igualdade do movimento gay.
Milk é um filme político, tem uma agenda, a defesa da causa gay. Não há que o esconder, mas dizer isso sobre o filme será como dizer que A Lista de Schindler é um filme que defende a causa judia.
Milk repousa nos ombros do seu elenco, Emile Hirsch, Josh Brolin, James Franco, Diego Luna, suportam o colosso que é Sean Penn. Se não fosse por mais nada, ver Penn já merecia duas horas de cinema. Quem se lembra dele em Mystic River ou 21 Gramas e o encontra aqui, transfigurado, figura trágica por uma morte anunciada mas de uma candura, uma alegria contagiantes, carregado de amor e vida, só pode vir às lágrimas.
Gus Van Sant aproveita este poço de talento e guia um filme que é o retrato de uma vida tão simples e tão cheia que transborda.
Tocante, irreverente, Milk é uma homenagem a um homem, a um movimento, a uma busca por uma humanidade muitas vezes negada, roubada, nesse ponto é um abrir de olhos.
Não é um filme perfeito, longe disso, nem o tenciona ser. Mas é uma obra de amor, e isso nota-se.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Música da Semana

Eh pá! Vamos lá agitar um pouco as coisas, Queens of the Stone Age, No One Knows!

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Slumdog Millionaire

Danny Boyle é desde Trainspotting uma promessa por cumprir. Os seus trabalhos têm variado do interessante (Sunshine), ao falhado (The Beach) ao completamente esquecido (Alien Love Triangle).
Este ano apresenta Quem Quer Ser Bilionário? e a onde de prémios não tem parado.
O filme segue a história de um rapaz dos bairros de lata da India que concorre ao famoso concurso Quem Quer Ser Milionário? Está a um passo de ser o primeiro vencedor do concurso quando é levado pela polícia sob suspeita de estar a forjar os resultados. Cada pergunta, cada resposta, é uma pequena história da sua vida, um passo para chegar até ali.
Quem Quer Ser Bilionário? (terrível titulo português para Slumdog Millionaire) está a ser ovacionado mundo fora como um clássico moderno. As críticas (excepto a portuguesa) têm sido impressionantes e tem sido distinguido em todo o lado, dos Globos de Ouro, aos BAFTA, sendo literalmente carregado em ombros até aos Oscares.
Tamanha unanimidade cria uma expectativa colossal em relação ao filme.
Gorada.
Quem Quer Ser Bilionário? é um filme carregado de energia, luz e cor, ritmo e inclusivé emoção. Uma história tocante, mas excessivamente ingénua, um olhar ocidental sobre uma Indía que nos é mostrada como um postal animado, uma visão folclórica de alguém que lhe é nitidamente externo.
Como produto de entertenimento funciona, as luzes piscam e os miúdos são queridos, as histórias são interessantes e é tudo tão pitoresco que se torna amoroso. Boyle tem destreza com a câmara e sabe construír uma narrativa apelativa.
Daí a ter 10 nomeações para os Oscares e ser aclamado mundialmente como o melhor filme do ano vai um passo de gigante.
Mas se a multidão aplaude, devo ser eu que estava distraído...

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Para ter uma noção de escala


"CGD incorpora 1800 milhões de perdas do BPN
As imparidades e perdas detectadas pela actual administração do Banco Português de Negócios (BPN) elevam-se a 1800 milhões de euros, revelou hoje Norberto Rosa na comissão parlamentar de inquérito à nacionalização do BPN.

Este valor, anunciado pelo actual administrador do BPN, é pelo menos o dobro do que tinha sido detectado pela auditoria realizada a pedido da anterior gestão de Miguel Cadilhe."

O Estado, pela mão da Caixa Geral de Depósitos, acabou de encaixar com 1800 milhões de euros de dívida, numa altura de apertada crise financeira. Esse buraco é o dobro do que tinha sido detectado na auditoria realizada anteriormente. Deixa ver... O DOBRO!!!! Ou seja, os auditores, pagos a peso de ouro, deixaram escapar qualquer coisa como 900 MILHÕES DE EUROS DE BURACO QUE AGORA TODOS NÓS VAMOS PAGAR!!!!

Ok... vamos ter a noção das grandezas.
Vamos para os meus lados, do cinema.
Em 2008, o ICA (Instituto do Cinema e do Audiovisual) apoiou 51 filmes, dos quais 15 longas, 12 curtas, 16 documentários e 8 curtas de animação. Gastou nesse apoio 8,4 milhões de euros.
Ora bem...
Isto significa que o Estado encaixou com um rombo que dava para pagar 214 anos de todo o financiamento público que o cinema português recebe!!!! 214 ANOS!!!!!! Assim... de uma assentada...

Vou ali sentar-me e por a cabeça entre as pernas, que começo a ver tudo a andar à roda...

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

No meu local de ensaios...

Olá a todos:

O "OPEN DAY" está a chegar…

A "Liga dos Amigos" vai abrir as portas ao público no próximo Domingo dia 08 de Fevereiro 2009 a partir das 14:00h para quem quiser conhecer e participar nas várias actividades que temos para oferecer.

Um dia dedicado aos mais curiosos onde poderão saber um pouco mais sobre as energias do Tai Chi, Shiatsu, Acupunctura, Reiki e Astrologia. Teremos também o Lançamento do Livro "Uma Vida entre Magia e Realidade" e para animar a malta, Capoeira (infantil e adultos), Danças de Salão, Concerto de Taças Tibetanas e ainda algumas surpresas que ficam por revelar.

Em baixo o programa das festas. Venha ter uma tarde diferente e traga um amigo. A entrada é livre.

Até Domingo


Liga dos Amigos,
Rua Marechal Saldanha, Nº 28 - Lisboa
Contactos:
21 343 11 64
91 865 43 97


“OPEN DAY”

ENTRADA LIVRE

LIGA dos AMIGOS - 08 de Fevereiro 2009

14h00 / 14h15
Aula Capoeira Infantil com Professor Chá Preto

14h30 / 15h00
Aula Tai Chi com Professora Wang

15h15 / 16h00
Lançamento do Livro “Uma Vida entre Magia e Realidade” de Mª Adélia Martins

16h15 / 16h30
Palestra Shiatsu com Teresa Paiva

16h45 / 17h00
Palestra Medicina Tradicional Chinesa – Acupunctura com Carlota Rente

17h15/ 17h30
Palestra Reiki com Fátima Martins

17h45 / 18h00
Palestra de Astrologia com Professora Ana Lupi

18h15 / 18h45
Concerto Taças Tibetanas com Cristina Costa e Cristina Marques

19h00 / 19h30
Aula Capoeira Adultos com Professor Chá Preto

19h45 / 20h15
Aula Danças de Salão com Professor Leandro Costa

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Bale a besta!

No set do Terminator 4 o director de fotografia foi verificar uma luz, passando à frente da celebridade, o senhor Cristian Bale (o último Batman).
Este não vai de modos e insulta-o de tudo, numa mostra de falta de carácter e vedetismo impressionantes. Ficou tudo gravado.
Para ouvir em baixo.

Defiance

Quem conheça o trabalho de Edward Zwick sabe o que esperar deste Resistentes. Tempo de Glória, Diamante de Sangue ou O Último Samurai conhece o gosto do realizador por épicos com um tom de tragédia. Quem conheça o trabalho de Eduardo Serra (Fados, A Rapariga com o Brinco de Pérola, Diamante de Sangue), sabe que este director de fotografia é capaz de contar toda uma história por imagens, criar todo um ambiente de luz que nos transporta para um sítio emocional que define os seus filmes.
Em 1941 quatro irmão, camponeses judeus bielorrussos, fogem para a floresta depois de os nazis lhes terem morto a família. Ali tornam-se os guardiões involuntários de diversos judeus que seguiram o mesmo caminho, em busca de abrigo nos bosques.
Resistentes é capaz de ser dos filmes com um tom mais melancólico de Edward Zwick. O frio, a fome e a doença estão constantemente presentes na vida de um grupo improvável de heróis que escolhem sobreviver, recusando-se a entregar nas mãos de Deus para decidir o seu futuro, recusando-se a morrer.
Resistentes não é um filme genial. É demasiado linear na glorificação de uns e demonização de outros, desenvolve-se a um ritmo estável e minimamente previsível, sem trazer nada de propriamente novo ou diferente - vide a cena do casamento, um decalque pobre do que Coppolla fez nos Padrinhos.
No entanto nunca compromete. Tem um trabalho do elenco bastante sólido, uma fotografia soberba, uma realização clássica e inteligente, uma história verídica tocante.
É um conto de força e vida, bem contado, bem construído, duas horas de bom cinema.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Música da Semana

Tenho um projecto académico a ser desenvolvido, para a pós-graduação que estou a tirar. Uma série para telemóveis, com potencialidade para se transformar em filme para televisão e até série de televisão se a coisa funcionasse. Estamos a desenvolver uma história, mas queria que o projecto fosse mais do apenas o argumento que estamos a desenvolver. Que fosse um formato que se pudesse adaptar a várias histórias. Como tal pensei em desenvolver para além deste caminho específico, trailers para outras situações adaptáveis à mesma mecânica.
A primeira história é um conto de medo. A segunda queria que fosse uma história de relações pessoais e familiares.
Descobri a música perfeita para o trailer. Não que seja uma canção genial, mas para o efeito que quero encaixa que nem uma luva!
Aqui fica o video de L-O-V-E Sugarush Beat Company.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Frost/Nixon

A corrida para ver todos os filmes fortes que estreiam continua. A época dos prémios é sempre tramada, são dois meses para apanhar os nomeados para os Óscares e todos aqueles que, mesmo sem serem nomeados, foram feitos a pensar numa hipótese de receber a estatueta dourada.
Este domingo vi um dos nomeados a Melhor Filme, Frost/Nixon.
Em 1977 o apresentador de talk-shows David Frost fez uma série de entrevistas de fundo a Richard Nixon. Este filme segue todo o processo, desde a ideia inicial até à concretização das mesmas, uma batalha entre um playboy televisivo e o monstro da política.
O tema parece redutor, apenas reservado a quem se interesse pela vida política americana da época.
Erro.
Frost/Nixon
é um filme soberbo, sem dúvida o melhor de Ron Howard.O realizador de Apollo 13, Cinderella Man e Uma Mente Brilhante consegue aqui um trabalho difícil, um equilíbrio entre o drama político, o lado humano e a investigação histórica.
Frost/Nixon está, antes de tudo, extremamente bem escrito. Um argumento construído com um rendilhado minucioso e detalhado sobre cada personagem e evento, num crescendo de tensão até ao confronto final.
Ron Howard cedo percebeu que o filme funcionaria ou falharia com base na performance dos seus dois rostos principais, e deu-lhes espaço para respirar, tirando o melhor proveito quer de Michael Sheen, quer de Frank Langella. Langella aliás - nomeado para o Oscar de Melhor Actor Principal - revela-se como um grande actor, algo que até hoje e em mais de 30 anos de carreira, me tinha escapado completamente. Absolutamente impressionante.
Foi este trabalho cuidado que tornou este Frost/Nixon num dos grandes filmes do ano, é este esforço dos actores e minúcia da realização que torna tão eficaz este embate, que nos permite descobrir e sofrer com cada um deles, que faz com que uma série de entrevistas nos deixe com um nó na garganta.
O filme tem passado ao lado do box-office com audiências diminutas, por isso apressem-se e não o deixem fugir.

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Sim nós podemos!!!!


Eu só não adivinho o Euromilhões! Depois do post de há três dias atrás eis que me deparo com esta maravilhosa campanha do PSD Seixal!
Como diria Quino, assim vai o mundo Mafalda!
Vide aqui no site oficial o lançamento do outdoor...

Não percam o vídeo exclusivo aqui do sopros de toda a história...

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Vicky Cristina Barcelona

Woody Allen tem vindo numa espiral descendente. Com a honrosa excepção de Match Point há 4 anos atrás, não vejo um grande filme do realizador desde As Faces de Harry em 1997. Vicky Cristina Barcelona foi tão bem recebido - levando inclusivé o Globo de Ouro de Melhor Filme - que me enchi de esperança num retorno em grande de Woody Allen.
Duas amigas americanas, Vicky e Cristina, vão passar o Verão a Barcelona. Na viagem encontram um sensual pintor com o qual acabam por se envolver. Cristina junta-se a ele, até que, para complicar ainda mais as coisas, aparece Maria Elena, a ex-mulher lunática.
A história não é brilhante, mas os triângulos amorosos destas 4 personagens podiam ser interessantes, principalmente pelas diferenças marcadas entre elas. O casting foi perfeito, Javier Bardem transborda sensualidade, Scarlett Johansson convence como uma debutante sexy, Rebecca Hall faz um contraponto forte e Penélope Cruz ilumina o ecrã com a sua força bruta, a sua emoção à flor da pele.
No entanto o filme falha.
Começa pela escolha de um narrador que não se cala durante toda a acção, declamando monocórdicamente aquilo que já se está a ver no ecrã. É redundante, profundamente irritante e não faz mais do que tirar a atenção da história que se desenrola à nossa frente.
Em segundo lugar, a escrita de Woody Allen tornou-se do mais piroso e carregado de clichés que imaginar se pode! Barcelona é vista como um postal animado, um passeio turístico onde abundam os lugares-comuns a um nível perturbante, não só nos locais, como na forma infantil com que se refere a todo o meio artístico. Não existem lugares, pessoas, relações, mas sim caricaturas das mesmas. Consigo ver o próprio Woody Allen de Annie Hall ou Manhattan a gozar perfidamente com este monte de chavões.
Allen quer ainda fazer um filme sensual e provocante, mas não tem a coragem de ir até onde é preciso. Cai então no ridículo. Um exemplo é querer despir Scarlett Johansson para depois lhe tapar o corpo com lençóis e fazê-la cobrir-se com os próprios lençóis quando se senta na cama com o amante. Este tipo de situações está espalhada pelo filme. Se não se quer jogar com a sensualidade e a sexualidade não se joga.

Valha-nos Penélope Cruz, quando ela aparece é uma lufada de ar fresco. Para além de um portento de mulher é mesmo uma grande actriz.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

The Curious Case of Benjamin Button

Nomeado para 13 Óscares e um dos óbvios candidatos a vencedor da noite, O Estranho Caso de Benjamin Button, é o último filme de David Fincher, realizador que nos trouxe o soberbo Seven - Sete Pecados Mortais, Fight Club, Sala de Pânico ou Zodiac. Esta é portanto uma mudança de rumo no estilo de cinema a que Fincher nos tem habituado. O resultado é muito bom.
No dia em que se comemora o fim da Primeira Guerra Mundial, uma criança nasce, matando no parto a mãe. O seu aspecto horrível e a dor da perda da mulher leva a que o pai o abandone à porta de um lar de idosos. A criança parece um velho em fim de vida. Cedo se descobre que envelhece ao contrário, com o passar dos anos vai ficando com um aspecto cada vez mais jovem.
O Estranho Caso de Benjamin Button é o típico filme adorado pela Academia. Grandes valores de produção, uma história bem contada, bons actores, tocante, inteligente e suficientemente consensual para não ofender ninguém.
É sem dúvida um grande filme. O argumento de Eric Roth (o mesmo argumentista de Munique, Forrest Gump e O Informador) é muito bem construído, um misto de drama humano com épico, emocional (quem tem tendência para chorar em filmes é melhor levar lenços).
Tecnicamente é irrepreensível, principalmente nos efeitos que mostram o rejuvenescimento de Brad Pitt. O trabalho de maquilhagem é dos melhores que tenho visto, do mais óbvio (a cara velha de Pitt) ao mais discreto (a gordura nas costas de Cate Blanchett ou a falta de rugas num Pitt de 18 anos).
O trabalho do elenco não tem mácula, apesar de me parecer exagerado a nomeação para o Oscar de Brad Pitt.
O Estranho Caso de Benjamin Button fica apenas a um passo da genialidade. Com todos os seus méritos falta-lhe apenas o toque de imprevisto, aqueles momentos que nos deixam de boca aberta e transformam completamente a experiência cinematográfica (vide A Troca).
Feito este reparo, vão ao cinema e deixem-se levar por um terno Benjamim...

terça-feira, janeiro 27, 2009

Sim...


Yes We Can, foi o slogan, a mensagem de esperança, de mudança, de um futuro melhor que Obama trouxe à América e ou Mundo. Vi o seu discurso de aceitação e tive vontade de gritar: tenho orgulho em ser americano!
Mas não sou.
Por cá temos uma cópia barata. O PCP saiu para a rua com o seu Sim, É Possível.
Sejamos honestos não tem o mesmo impacto. Obama afirmava que que conseguiam, o PCP limita-se a dizer que vá... é possível. (mas será provável?)
Já não é só a mediocridade geral dos políticos nacionais, a falta de alternativas e de liderança, o mínimo denominador comum que atravessa a vida pública (arrepio-me agora ao ver a cara de Fátima Felgueiras na televisão), parece que até os slogans são versões aguadas de ideias dos outros.
Pouco falta para termos o PSD a gritar: Sim Nós Podemos!

Música da Semana

Começou pela auto-promoção da SIC. Sem falar em produto nenhum específico, tentava criar uma empatia com a estação, coisa que a Super Bock, cpor exemplo, faz há anos com uma qualidade superior.
No entanto para a estação de televisão não sendo uma estreia é, pelo menos do que vejo, uma raridade.
Gostei da promo principalmente por causa da música.
Para esta semana A Fine Frenzy - You Picked Me, com vídeo, ao vivo.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Die Welle

Será possível, numa sociedade globalizada, numa Europa moderna e supostamente esclarecida, a emergência de um regime ditatorial?
Um professor alemão, liberal de esquerda, jovem e com uma excelente relação com os alunos, resolve fazer um projecto. Numa aula sobre autocracia decide começar um regime ditatorial numa turma que insiste ser impossível acontecer hoje em dia, impossível acontecer com eles.
São pequenos passos, um pouco de ordem na sala, cada um a falar à vez, organizados. Em seguida criar um líder, dar aos alunos um sentimento de pertença, por o bem comum acima do bem individual, criar-lhes um inimigo a combater, dar-lhes uma farda, um lema, um nome, um símbolo. Pequenos passos, a maioria inofensivos, a maioria com os quais qualquer pessoa concorda. A motivação aumenta, o sentido de pertença também e com ele a entre-ajuda. Começam a ter um novo sentido para a vida, a criar um novo orgulho em si próprios. Até que começa. Devagar primeiro. Alguém que não quer usar a roupa igual e é olhado de lado. Alguém que não faz a saudação e é proibido de entrar num espaço público. A Onda cresce, o temor também.
Filme alemão a olhar sobre os perigos de se esquecer o passado, a facilidade com que tudo pode voltar.
Tenebroso a espaços, inteligente, A Onda sofre apenas com o tempo que dura. O projecto escolar só vai de segunda a sexta, demasiado rápido para tanta mudança, demasiado curto para que se sinta o perigo na pele.
Mas a mensagem fica lá. Começa sempre assim, pequeno, um passo aqui, um sussurro ali, até que nos vemos submergidos por algo assustador e ao mesmo tempo tão confortante, tão certo, tão quente, tão sedutor...