sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Revolutionary Road

Sam Mendes, quase uma década depois do seu oscarizado Beleza Americana e três filmes mais tarde, regressa ao tema da vida familiar, na sua componente mais basilar, mais simples e directa. Volta a olhar para as relações humanas, e volta a fazê-lo com mestria.
Baseado no best seller de Richard Yates, Revolutionary Road segue um jovem casal nos anos 50 com sonhos de uma vida fora do vulgar, que acabam por se sentir encurralados no seu dia a dia de classe média, trabalho, casa, crianças, emprego.
Mendes compreende a importância dos dramas diários, do sufoco do dia-a-dia, do potencial destrutivo de sonhos quebrados. Guia-nos com uma delicadeza estranha por este emaranhado de emoções. A fotografia belíssima, bem como todo o trabalho de reconstrução de época dos décors aos figurinos, suportam e enquadram o trabalho de dois actores dotados. Se Leonardo DiCaprio não falha uma cena, uma emoção, Kate Winslet explode numa complexidade de sentimentos, num trabalho de actriz multi-facetado e que permite milhentas interpretações. A cada momento vemos nos seus olhos, na expressão, no corpo aquilo que ela sente, aquilo que ela pensa e aquilo que ela mostra. Notável.
O desagregar deste casal é mais uma das grandes obras do cinema americano deste ano. Revolutionary Road tem tudo, indústria, talento, qualidade artística (seja lá isso o que for) e neste momento já rendeu no box-office quase o dobro do seu custo.
Da imensidão de filmes a estrear semanalmente, este é daqueles a não perder.

2 comentários:

Varandas disse...

Se gostei...!

Catarina disse...

De acordo!