segunda-feira, dezembro 10, 2007

Contos em Viagem - Cabo Verde


O Meridional tem tido como uma das linhas mestras do seu trabalho a difusão, pesquisa, investigação e criação artística sobre as diversas formas de lusofonia. Seja nos hábitos e culturas locais em Portugal, como os brilhantes Por Detrás dos Montes e À Manhã, seja, como neste projecto Contos em Viagem, no trabalho realizado sobre outros países da lusofonia. Primeiro foi o Brasil, agora chega até nós Cabo Verde.

Cabo Verde é um espectáculo baseado em dezasseis textos de onze autores onde se vê, ouve e sente a vida, os sons, a alma em cru de uma terra. No palco pouco cenário, tábuas e caixas no chão, luzes penduradas, um espanta-espiritos, objectos vários espalhados. Em cena uma mulher e um homem. Ele, Fernando Mota, músico excepcional, traz sons e ambiências dos objectos comuns que o rodeia. Ela, Carla Galvão, actriz inspirada, mil personagens, força da natureza. Cria-se um diálogo, primeiro de Carla com Deus, em criolo como teria que ser, depois consigo própria, personagens, vidas dentro de si, que ela cria e mostra numa fluidez de emoções e palavras, com uma mestria, um à-vontade sem paralelo, como se fosse realmente possuída por cada um daqueles espíritos africanos que, não dúvido, deambulam pela sala. O diálogo estende-se a Fernando Mota. Músico? Actor? Ele é tão parte do espectáculo como cada palavra proferida. Pela música, sonoridade, pelo corpo e fisicalidade dos sons que cria, pela relação que cria com as outras vidas que ali se vivem. Por último o diálogo estende-se a nós, público, que rendido se entrega de braços abertos a mais uma grande noite de teatro. Disse uma vez que o Meridional era a melhor companhia de Lisboa. Volta a provar mais uma vez. E nos seus quadros tem dos melhores actores do país. Carla Galvão está sem dúvida nesse lote, cada vez mais uma figura maior dos palcos nacionais.

Não esquecer o trabalho único de selecção de textos de Natália Luiza, primoroso.
Para a encenação de Miguel Seabra uma enorme salva de palmas, sóbria, emocional, divertida, tensa, joga com as emoções do espectáculo num contínuo brilhante.

Não perder, sai de cena no próximo fim-de-semana.

Uma vénia...


Cabo Verde
Teatro Meridional

Direcção Cénica e Desenho de Luz Miguel Seabra

Selecção de Textos, Dramaturgia e Assistência Artística Natália Luíza

Interpretação: Carla Galvão (texto), Fernando Mota (música)

Espaço Cénico e Figurinos Marta Carreiras

Música Original e Espaço Sonoro Fernando Mota

Até 15 de Dezembro de 2007
Quarta, Quinta e Sexta - 22h, Sábado - 17h e 22h
Preço: 10€ (existem diversos descontos, perguntar na bilheteira)


Teatro Meridional
Rua do Açucar, 64
1950-009 Lisboa
Telefone: 218 689 245
Fax: 218 689 247
www.teatromeridional.net
teatromeridional@teatromeridional
.net

5 comentários:

deep disse...

Era tão bom que maravilhas assim viessem até cá em cima!

Boa semana. :)

MPR disse...

O Meridional por acaso costuma ter uma itenerância grande. Quem sabe se não vai aí pelas tuas bandas?...

ttf disse...

Pelo que sei, para o ano partem em digressão com este trabalho.

Quanto a mim, Meridional é a melhor companhia de teatro de Lisboa.
A Carla Galvão, como já tive oportunidade de lhe dizer várias vezes, é genial. Disse-lhe até que não sei se é legal andar a fazer o que se vê!! Não é razoável ser assim tão bom. É a melhor actriz que conheço. Não tenho dúvidas.

A peça. Vi mais do que uma vez. Ri todas as vezes. Chorei todas as vezes.

carlos mota disse...

engraçado. por vezes ouve-se falar de espectáculos e parece que não vimos o mesmo.

Eu achei o espectáculo bonito mas muito vazio...

ttf disse...

Será esse um dos focos de interesse da Arte, certo? Há quem goste e há quem não goste...Há a quem encha e a quem nada faça. Sempre disse isto a propósito do Meridional...Pode haver quem não goste, mas não poderei encontrar ninguém que diga que não vê o que ali se faz. Há trabalho...muito bom trabalho.